Rinite gestacional: causas hormonais e o que fazer
Nariz entupido na gravidez? Entenda as causas hormonais da rinite gestacional, como diferenciar e o que fazer com segurança.

Acordar todos os dias com o nariz entupido na gravidez pode ser exaustivo. Se isso é o seu caso, saiba que você não está só. A chamada rinite gestacional é comum, especialmente no 2º e 3º trimestres, e tem muito a ver com as mudanças hormonais do corpo. A boa notícia: existem formas seguras de aliviar os sintomas sem colocar a gestação em risco.
Dica de ouro: na maioria dos casos, a rinite gestacional melhora sozinha e tende a desaparecer em até duas semanas após o parto.
1. O que é rinite gestacional?
A rinite gestacional é definida como congestão nasal que dura pelo menos 6 semanas durante a gravidez, sem sinais de infecção respiratória (resfriado, gripe) e sem causa alérgica identificável. Em outras palavras, o nariz entope por conta das mudanças do organismo gestante — não por vírus ou alergias.
- Prevalência: estudos variam, mas relatam algo entre 9% e 42% de pessoas grávidas com sintomas, com maior frequência no 2º e 3º trimestres.
- Quando começa e quando termina: os sintomas podem surgir no final do 1º trimestre, tornam-se mais comuns no 2º e 3º, e geralmente desaparecem em até 2 semanas depois do parto.
2. Por que é mais comum no segundo trimestre?
Se você percebeu rinite na gravidez no segundo trimestre, isso não é coincidência. Esse período concentra elevações acentuadas de hormônios como estrogênio e progesterona, além de mediadores da gestação que influenciam a mucosa nasal. O resultado é um “pico” de sintomas entre o 2º e o 3º trimestres: mais obstrução, roncos e, às vezes, coriza.
- Curva de sintomas: leve no início, intensifica no meio e atinge seu auge no final da gestação, acompanhando o padrão hormonal típico do período.
- Impacto prático: quem está no 2º trimestre (preg_t2) costuma notar mais nariz entupido à noite e piora do sono.
3. Estrogênio: vasodilatação e hiper-reatividade da mucosa
O estrogênio, em altas concentrações na gravidez, tem ação direta na mucosa nasal:
- Aumenta a permeabilidade dos vasos: mais fluido extravasa para os tecidos, causando edema da submucosa.
- Provoca vasodilatação e eleva o fluxo sanguíneo local: os cornetos nasais ficam “inchados”, dificultando a passagem de ar.
- Potencializa receptores de histamina: a mucosa fica mais sensível, favorecendo sintomas como coriza e espirros mesmo sem alergia verdadeira.
4. Progesterona e aumento do volume sanguíneo: como isso entope o nariz
A progesterona também contribui para o nariz entupido na gravidez, embora de forma mais indireta:
- Efeito vasodilatador sistêmico: a progesterona reduz o tônus dos vasos, o que facilita o acúmulo de sangue na mucosa nasal.
- Aumento do volume plasmático: na gestação, o volume de sangue circulante pode subir até cerca de 40%–50%. Esse “excesso” circulante engorga a mucosa e intensifica a sensação de obstrução.
5. Outros mediadores da gestação: hormônio do crescimento placentário e VEGF
Além do estrogênio e da progesterona, outros mediadores importantes entram em cena:
- Hormônio do crescimento placentário (PGH) e VEGF (fator de crescimento endotelial vascular): estimulam a angiogênese e aumentam a área vascular nos cornetos nasais, contribuindo para o inchaço e a obstrução.
- Resultados: mais vasos, mais fluxo e mais edema — tudo somando para o “nariz de gravidez”.
6. Rinite gestacional x rinite alérgica x sinusite: como diferenciar
Saber distinguir ajuda a direcionar o cuidado certo:
- Rinite gestacional
- Rinite alérgica
- Sinusite (aguda)
Quando pedir avaliação: febre alta, dor facial intensa, secreção purulenta persistente, sangramento nasal frequente, piora abrupta do quadro ou impacto importante no dia a dia. Um(a) profissional pode solicitar testes, descartar alergias e orientar o tratamento mais seguro (Cleveland Clinic; Johns Hopkins; Mayo Clinic).
7. Impacto no sono e na qualidade de vida da gestante
A rinite gestacional pode comprometer bastante o descanso e o bem-estar:
- Ronco e despertares noturnos, levando a sonolência diurna.
- Ansiedade por não conseguir respirar pelo nariz, piorando a percepção dos sintomas.
- Possível relação com apneia obstrutiva do sono (AOS): a obstrução nasal pode contribuir para ronco e AOS em pessoas predispostas. Identificar e tratar melhora a qualidade de vida (revisões em PMC/MDPI).
8. Manejo em casa: medidas não farmacológicas seguras
Comece sempre pelo que é simples, seguro e eficaz. Eis um passo a passo de como aliviar rinite na gravidez em casa:
- Lavagem nasal com soro fisiológico
- Umidificação do ambiente
- Hidratação e alimentação equilibrada
- Elevar a cabeceira
- Exercício leve e regular
- Higiene ambiental e evitar irritantes
- Inalação de vapor e compressa morna
Essas medidas são primeira linha e costumam bastar para quadros leves a moderados (Cleveland Clinic; Verywell Health — visão de paciente). Se o desconforto persistir, converse com seu/sua obstetra.
9. Opções de tratamento medicamentosas na gestação (com orientação)
Se as medidas caseiras não forem suficientes, algumas medicações podem ser consideradas — sempre com orientação profissional:
- Corticoide intranasal
- Anti-histamínicos
- Descongestionante nasal na gravidez (tópico)
- Descongestionantes orais
Importante: qualquer medicamento na gestação deve ser decidido junto ao(à) obstetra, equilibrando benefício e segurança para você e o bebê.
10. Erros comuns, mitos e cuidados com a automedicação
- “É só um resfriado, logo passa.”
- “Se descongestionante ajuda, posso usar todo dia.”
- “Nenhum remédio é seguro na gravidez.”
- Automedicação sem orientação
11. Quando procurar ajuda e sinais de alerta
Busque avaliação médica se houver:
- Febre, mal-estar intenso ou sintomas que sugerem infecção.
- Dor/pressão facial importante ou secreção amarelada/esverdeada espessa por vários dias.
- Roncos altos com pausas respiratórias, sonolência excessiva diurna.
- Sangramento nasal persistente ou recorrente.
- Piora significativa do sono e do bem-estar, impacto no trabalho/rotina.
12. Perguntas frequentes (FAQ) e recursos confiáveis
- Rinite gestacional faz mal para o bebê?
- Posso usar soro fisiológico todo dia?
- Quando costuma melhorar?
- Exercício ajuda a destravar o nariz?
- Anti-histamínicos são seguros?
- Posso usar descongestionante nasal na gravidez?
Recursos confiáveis para leitura adicional:
- Cleveland Clinic — Pregnancy Rhinitis: definição, opções de tratamento e cuidados: https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/pregnancy-rhinitis
- ACOG — Medicamentos para alergia na gravidez: https://www.acog.org/womens-health/experts-and-stories/ask-acog/what-medicine-can-i-take-for-allergies-while-im-pregnant
- Revisão científica em PubMed Central (PMC) sobre rinite e gravidez: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9444647/
- Mayo Clinic — Antialérgicos e gravidez: https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/pregnancy-week-by-week/expert-answers/allergy-medications/faq-20058122
- Pregnancy, Birth & Baby — Rinite na gravidez: https://www.pregnancybirthbaby.org.au/pregnancy-rhinitis
- Asthma & Pregnancy Toolkit — Rinite e comorbidades respiratórias: https://asthmapregnancytoolkit.org.au/treatable-traits/extrapulmonary/rhinitis/
Conclusão
A rinite gestacional é resultado de um “tempestade” hormonal e vascular que acontece no nariz durante a gravidez — por isso ela é mais notável no 2º e 3º trimestres. Embora seja benigna, pode atrapalhar muito o sono e o bem-estar. Comece com medidas não farmacológicas e, se precisar, converse com seu/sua obstetra sobre tratamentos seguros, como corticoide intranasal. Lembre-se: cuidar dos sintomas é cuidar de você também.
Chamada para ação: se o nariz entupido na gravidez está afetando sua rotina ou seu descanso, agende uma conversa com seu/sua obstetra para personalizar o plano de alívio com segurança.