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Dentição não causa febre: mitos, sinais e cuidados

A dentição não provoca febre alta. Saiba diferenciar sinais de dentição de doenças, aliviar o desconforto e reconhecer quando buscar ajuda.

Bebê mastigando um mordedor gelado no colo de um cuidador, com babador e muita salivação, em ambiente claro e acolhedor.

Dentição não causa febre: mitos, sinais e cuidados

Introdução

É muito comum ouvir que “dentição causa febre”. A verdade, amparada pela ciência, é que a erupção dos dentinhos pode trazer desconforto — mas não provoca febre verdadeira (≥ 38 °C). Se seu bebê está mais salivando, irritado e querendo morder, isso é esperado. Já a febre no bebê precisa de atenção específica, porque costuma indicar infecção ou outro motivo que não a dentição. Neste guia, você vai entender o que é normal, quando se preocupar e como aliviar a dor da dentição com segurança.

Ponto-chave: a dentição não causa febre alta (≥ 38 °C). Febre exige investigação, especialmente em bebês menores de 6 meses.

1. Dentição não causa febre: o que diz a ciência

A crença de que “dentição causa febre” é antiga, mas não encontra respaldo nas principais entidades pediátricas. A American Academy of Pediatrics (AAP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam que a dentição pode elevar levemente a temperatura corporal (um aumento discreto, abaixo de 38 °C), porém não provoca febre verdadeira AAP, OMS. O CDC também destaca a importância de procurar a causa real de febre em crianças pequenas, em vez de atribuí-la aos dentes CDC.

Uma pesquisa publicada no periódico Pediatrics observou pequenos aumentos de temperatura no período de erupção, mas não febre clínica (≥ 38 °C) (Macknin et al., 2000) Pediatrics.

Por que isso importa? Porque atribuir febre à dentição pode atrasar o diagnóstico de infecções comuns na infância — como resfriados, otites e infecções urinárias — e de quadros que precisam de avaliação médica rápida Children’s Colorado.

Se o bebê está com 38 °C ou mais, o cuidado principal é procurar a causa da febre — não culpar a dentição.

2. Quando nascem os primeiros dentes e o que é normal

A dentição geralmente começa entre 3 e 12 meses, com média por volta dos 6 meses, e segue até cerca de 3 anos. A sequência mais comum inicia pelos incisivos centrais inferiores e superiores, mas há variações individuais Healthline, AAP.

Sinais de dentição esperados (e geralmente leves):

  • Irritabilidade discreta, principalmente à noite
  • Salivação aumentada
  • Gengiva inchada, avermelhada e sensível
  • Vontade de morder e levar objetos à boca
  • Sono mais inquieto e leve redução do apetite por sólidos
Sinais que não são da dentição e precisam de outra investigação:

  • Febre verdadeira (≥ 38 °C)
  • Vômitos e diarreia
  • Manchas generalizadas no corpo
  • Tosse intensa, dificuldade para respirar
  • Recusa alimentar persistente e apatia

Dentição pode incomodar, mas não deveria “derrubar” a criança. Se o bebê está prostrado, com febre alta, vomitando ou com diarreia, procure avaliação.

3. Febre no bebê: valores, como medir e o que observar

  • O que é febre? Em bebês, febre é temperatura retal ≥ 38,0 °C. Temperatura levemente elevada (geralmente entre 37,5 °C e 37,9 °C) pode ocorrer por calor ambiental, roupas em excesso ou após vacinas.
  • Melhor forma de medir: a via retal é o padrão de maior precisão em bebês pequenos AAP, Mayo Clinic.
Como medir com segurança:

  • Use termômetro digital. Leia e siga as instruções do fabricante.
  • Para medir no reto: aplique uma pequena quantidade de lubrificante hidrossolúvel na ponta, insira delicadamente 1–2 cm, mantenha o bebê seguro e parado, e aguarde o sinal sonoro.
  • Higiene: lave o termômetro com água e sabão após o uso. Seque e guarde limpo.
  • Registre a medida: anote horário, via de medição e valor (ex.: 7h, retal, 38,1 °C).
E a medição em axila ou testa? A axila é prática, mas menos precisa. Termômetros de testa/infravermelho podem variar com suor e ambiente. Em caso de dúvida ou bebê pequeno, confirme pela via retal.

Sinais para observar junto com a temperatura:

  • Hidratação: número de fraldas molhadas, lágrimas ao chorar, boca úmida
  • Respiração: esforço, chiado, batimento de asas do nariz
  • Comportamento: sonolência excessiva, irritabilidade extrema, gemência
  • Alimentação: recusa persistente de líquidos e sólidos

“Bebê 38 graus”: confirme a leitura (de preferência retal), observe outros sintomas e siga os critérios de quando procurar o pediatra (veja a Seção 8).

4. Sinais de alerta que exigem atenção médica

Não atribua os sinais abaixo à dentição. Procure avaliação médica:

  • Febre persistente (≥ 38 °C), especialmente em menores de 6 meses
  • Dificuldade para respirar, respiração rápida ou retratações
  • Vômitos repetidos, diarreia intensa ou sangue nas fezes
  • Manchas no corpo (exantemas extensos), rigidez de nuca ou choro inconsolável
  • Sonolência excessiva, prostração, gemência ou irritabilidade extrema
  • Recusa alimentar ou sinais de desidratação (poucas fraldas molhadas)
  • Convulsão febril ou qualquer episódio de perda de consciência

Se algo não parece bem, confie na sua intuição e procure serviço de saúde. Em emergências, acione o SAMU 192.

5. Mitos e verdades sobre dentição e febre

Mito: “Existe febre de dentição.”

Mito: colares de âmbar ajudam a aliviar a dor.

  • Verdade: não há comprovação de benefício e há riscos de asfixia e estrangulamento. A AAP desaconselha o uso AAP – Colares de âmbar.
Mito: géis com benzocaína são seguros para a gengiva.

  • Verdade: a FDA alerta contra benzocaína em bebês, pois pode causar eventos adversos graves, como meta-hemoglobinemia. Evite FDA.
Mito: “Se está nascendo dente, diarreia e vômito são normais.”

  • Verdade: diarreia e vômitos não são sinais de dentição; podem indicar infecção ou outra condição e exigem avaliação Seattle Children’s.

Foque em métodos simples e seguros: frio local, massagem suave e acolhimento. Evite produtos sem comprovação.

6. Como aliviar o desconforto da dentição com segurança

Passo a passo prático para aliviar dor da dentição:

  • Mordedores gelados (não congelados): deixe na geladeira e ofereça supervisionando. O frio ajuda a dessensibilizar a gengiva Mayo Clinic.
  • Massagem suave: com um dedo limpo ou gaze umedecida fria, faça movimentos circulares na gengiva por alguns segundos.
  • Pano limpo e frio: um paninho úmido gelado pode ser mordido por alguns minutos (sempre com supervisão atenta).
  • Acolhimento e distração: colo, brincadeiras calmas e carinho reduzem a percepção de dor.
  • Alimentos frios apropriados: se a alimentação sólida já foi iniciada, ofereça purês frios ou iogurte natural (se já liberado pelo pediatra), sempre com segurança.
O que evitar:

  • Géis anestésicos (como benzocaína) e “tabletes” sem orientação — sem evidência e com riscos FDA.
  • Colares de âmbar e qualquer objeto no pescoço do bebê.
  • Cortar a gengiva (gengivotomia caseira) — perigoso e sem indicação.
  • Mordedores congelados (muito duros) — podem machucar a gengiva.
E os analgésicos?

  • Em casos de desconforto importante, o pediatra pode orientar analgésicos apropriados (como paracetamol; ibuprofeno apenas em crianças maiores de 6 meses), nas doses corretas para o peso do bebê AAP. Não medique sem orientação.


7. Passo a passo se o bebê está quente: e agora?

Guia rápido quando você percebe o bebê mais quente:

1. Confirme a temperatura

  • Use termômetro digital. Se a leitura em axila for 38 °C (“bebê 38 graus”), confirme pela via retal, quando possível.

2. Ofereça líquidos

  • Ofereça aleitamento materno ou fórmula com maior frequência. Hidratação é essencial AAP – Desidratação.

3. Ambiente confortável

  • Roupas leves, sem excesso de agasalho. Mantenha o quarto arejado.

4. Observe outros sintomas

  • Tosse, coriza, vômitos, diarreia, manchas, respiração ofegante, prostração.

5. Registre

  • Anote temperatura, horário, como mediu e outras observações (mamadas, fraldas, comportamento).
O que evitar

  • Banho gelado, gelo no corpo ou fricção com álcool — podem causar desconforto e riscos.
  • Superaquecer o bebê (muitas camadas) ou deixar desagasalhado em excesso.
  • Dar antitérmico “preventivo” sem orientação.

Se a temperatura atingir 38 °C ou mais, siga os critérios da Seção 8 para decidir quando contatar o pediatra ou buscar urgência.

8. Quando procurar o pediatra ou urgência

Critérios por idade e situação (baseado em recomendações de AAP, CDC e hospitais pediátricos):

  • Bebês < 3 meses: qualquer febre (≥ 38 °C, via retal) é motivo para avaliação imediata AAP, Children’s Colorado.
  • 3 a 6 meses: febre ≥ 38,0–38,3 °C ou febre com outros sintomas preocupantes (recusa alimentar, dificuldade respiratória, prostração) — contate o pediatra.
  • > 6 meses: febre que dura mais de 48–72 horas, febre alta persistente, piora do estado geral ou sinais de alarme em qualquer momento — procure avaliação.
  • Em qualquer idade: se houver convulsão, dificuldade respiratória, desidratação, manchas roxas no corpo, choro inconsolável ou sonolência excessiva, vá à urgência. Em emergência, SAMU 192.

Lembre: “dentição causa febre” é um mito. Se há febre, investigue outra causa.

9. Perguntas frequentes de famílias de 3 a 12 meses

1. Quanto tempo dura a fase de dentição?

  • Cada dente pode causar desconforto por 1–3 dias perto da erupção, com períodos de alívio entre eles. O processo completo se estende até cerca de 2–3 anos, variando muito entre bebês.

2. Posso dar chás para aliviar?

  • Não é recomendado oferecer chás a bebês, especialmente menores de 6 meses. Eles podem substituir mamadas e causar riscos. Prefira métodos seguros: frio local, massagem e acolhimento AAP.

3. Assaduras ao redor da boca por saliva: o que fazer?

  • Limpe gentilmente a pele com pano macio e água, seque sem esfregar e aplique uma camada fina de barreira (ex.: vaselina) para proteger. Troque babadores com frequência.

4. Dentição afeta sono e apetite?

  • Pode haver sono mais inquieto e menor interesse por sólidos por alguns dias. Porém, recusa persistente de líquidos, prostração ou febre alta não são típicos da dentição — procure avaliação.

5. Como higienizar mordedores?

  • Lave com água e sabão após o uso e enxágue bem. Siga as orientações do fabricante para esterilização/ebulição, quando aplicável. Inspecione rachaduras e descarte se houver desgaste. Nunca pendure mordedores no pescoço.

6. Posso usar gel de dentição?

  • Evite produtos com benzocaína ou anestésicos tópicos — não são recomendados e podem ser perigosos FDA. Prefira frio local, massagem e orientação do pediatra para analgésicos orais, quando necessário.

7. Mordedores com gel podem ir ao freezer?

  • Não. O congelamento os torna muito duros e pode machucar a gengiva. Geladeira, sim; freezer, não Mayo Clinic.

8. “Bebê 38 graus”: é dentição?

  • Não. 38 °C já é febre. Confirme a medida (idealmente retal), observe outros sintomas e siga os critérios para chamar o pediatra (Seção 8). Não atribua a dentição.

9. Diarreia e vômitos são normais na dentição?

  • Não. Esses sintomas merecem investigação, pois podem indicar infecções gastrointestinais ou outras causas Seattle Children’s.

10. Preciso “cortar” a gengiva para o dente sair?

  • Jamais. A gengiva se adapta naturalmente à erupção dental. Cortes caseiros podem levar a infecções e lesões.


10. Resumo prático: o essencial para lembrar

Checklist final:

  • Dentição não causa febre alta: febre verdadeira é ≥ 38 °C.
  • Sinais de dentição: salivação, gengiva inchada, irritabilidade leve e vontade de morder.
  • Sinais que não são da dentição: febre persistente, vômitos, diarreia, manchas no corpo, dificuldade para respirar, recusa alimentar importante.
  • Como medir: prefira termômetro digital; via retal é o padrão em bebês. Anote horários e valores.
  • O que ajuda: mordedores gelados (não congelados), massagem na gengiva, pano limpo e frio, acolhimento.
  • O que evitar: colares de âmbar, géis com benzocaína, remédios sem orientação, banhos gelados e excesso de agasalho.
  • Quando procurar ajuda: < 3 meses com qualquer febre; 3–6 meses com ≥ 38–38,3 °C ou sinais de alarme; febre > 48–72 h; piora do estado geral. Em emergência, SAMU 192.

Se você lembrar de uma só frase, que seja esta: “Dentição não causa febre; febre precisa de investigação.”

Conclusão e chamada para ação

Cuidadores informados fazem toda a diferença. Ao entender que a dentição não causa febre, você protege o bebê de atrasos diagnósticos e escolhe estratégias seguras para aliviar o desconforto. Salve este guia, compartilhe com quem cuida do seu bebê e converse com o/ a pediatra sobre como monitorar a temperatura e quais métodos de alívio são melhores para sua família.

Fontes essenciais: AAP, OMS, CDC, Pediatrics, Cleveland Clinic, Seattle Children’s, Mayo Clinic, FDA, Children’s Colorado, KidsHealth.

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