Dicas para Fortalecer o Assoalho Pélvico na Gestação
Aprenda exercícios de Kegel, treino da bexiga e hábitos que fortalecem o assoalho pélvico na gestação para menos escapes e mais bem-estar.

Introdução Se você chegou ao segundo trimestre de gravidez com mais disposição, mas percebeu escapes de xixi ao rir, tossir ou espirrar, saiba: isso é comum e tem solução. Com exercícios para fortalecer o assoalho pélvico, ajustes de hábitos e apoio adequado, é possível reduzir a incontinência urinária na gravidez, proteger o períneo e ganhar conforto no dia a dia — com benefícios que se estendem ao parto e ao pós-parto. As dicas a seguir são baseadas em evidências e orientações de instituições como ACOG, Cleveland Clinic, Mayo Clinic e Johns Hopkins.
Ponto-chave: fortalecer o assoalho pélvico na gestação é seguro quando feito com técnica e orientação, e pode melhorar muito sua qualidade de vida.
1. Assoalho pélvico: o que é e por que importa no 2º trimestre
O assoalho pélvico é um conjunto de músculos e tecidos que sustenta bexiga, útero e intestino, ajudando no controle da urina e fezes e na estabilidade da coluna. No segundo trimestre de gravidez, o crescimento do útero aumenta a pressão sobre a bexiga, enquanto hormônios como progesterona e relaxina tornam ligamentos e músculos mais flexíveis, podendo reduzir o tônus da região. Além disso, o volume sanguíneo pode aumentar em até 50%, elevando a produção de urina e a frequência miccional (Mayo Clinic). Tudo isso eleva o risco de urgência e escapes, especialmente ao tossir, espirrar, rir ou durante exercícios (Cleveland Clinic; ACOG).
No 2º trimestre, a combinação de mais urina, mais pressão do útero e maior frouxidão ligamentar coloca o assoalho pélvico sob demanda extra (Cleveland Clinic; Mayo Clinic).
2. Como reconhecer sinais de fraqueza e quando isso é normal
Sinais comuns de que o assoalho pélvico precisa de atenção incluem:
- Escapes ao tossir/espirrar/rir (incontinência de esforço)
- Urgência para urinar e idas frequentes ao banheiro
- Sensação de peso ou pressão pélvica
- Dor lombar ou desconforto pélvico
- Escape de urina: geralmente tem odor característico, ocorre em jatos ou pinguinhos, especialmente com esforço.
- Possível perda de líquido amniótico: costuma ser um gotejamento contínuo, claro/aguado, às vezes com leve odor adocicado. Em caso de dúvida, procure avaliação imediata.
3. Benefícios de fortalecer o assoalho pélvico na gestação
Fortalecer o assoalho pélvico na gestação traz ganhos que vão além do banheiro:
- Reduz incontinência urinária na gravidez e a urgência
- Aumenta o conforto para atividades diárias e exercícios
- Melhora o suporte à coluna e a estabilidade do tronco
- Pode favorecer a função sexual (circulação, consciência corporal)
- Prepara para o parto e a recuperação pós-parto
- Ajuda a reduzir o risco de prolapso de órgãos pélvicos
4. Primeiro passo: identificar corretamente os músculos pélvicos
Antes de iniciar os exercícios para fortalecer o assoalho pélvico, identifique os músculos certos:
- Imagine que está tentando segurar o xixi ou impedir a saída de gases. Os músculos que "fecham e elevam" são os do assoalho pélvico.
- Evite contrair abdômen, glúteos e coxas. A mão no baixo ventre ajuda a checar que a barriga não endurece.
- Posturas iniciais: deitada de lado com joelhos dobrados, semi-reclinada com apoio nas costas, ou sentada com os pés no chão. Conforme ficar mais fácil, progrida para em pé.
5. Exercícios do assoalho pélvico: passo a passo seguro
Os exercícios de Kegel são a base para fortalecer o assoalho pélvico na gestação. Um protocolo prático, citado por Cleveland Clinic e Johns Hopkins, é:
- Contrações lentas: contraia suavemente como se fechasse a uretra e o ânus, mantenha por até 10 segundos e relaxe por 10 segundos.
- Repetições: 15 repetições por série.
- Frequência: 5 séries ao dia (distribuídas), somando 75 contrações lentas.
- Contrações rápidas: acrescente 10 contrações curtas (1–2 segundos) ao final de cada série para treinar o reflexo de fechamento.
- Respiração: inspire pelo nariz; ao contrair, solte o ar devagar. Não prenda a respiração.
- Relaxamento: entre repetições e séries, perceba o relaxar completo do períneo. Tão importante quanto contrair é saber relaxar.
- Progressão de posturas: comece deitada, evolua para sentada e, depois, em pé e em movimento (ex.: antes de tossir, ao pegar peso leve).
- Pense na ação “fechar e elevar”, em vez de “apertar e empurrar”.
- Menos é mais: priorize qualidade da contração. Se 10 segundos é difícil, comece com 3–5 segundos e progrida.
- Pare se sentir dor, pressão descendente ou tontura, e converse com seu time de saúde.
Kegel bem-feito é discreto, sem prender a respiração e sem empurrar para baixo (Cleveland Clinic; Johns Hopkins).
6. Respiração, postura e proteção do períneo no dia a dia
Proteger o períneo é parte essencial do cuidado:
- Sincronize esforço e respiração: exale durante o esforço (levantar, agachar, pegar algo do chão). Evite prender o ar.
- The Knack ("fechar, elevar e tossir"): faça uma contração rápida do assoalho pélvico antes de tossir/espirrar/rir para prevenir o escape.
- Postura neutra: mantenha costelas “sobre” a pelve, evitando arching excessivo da lombar, o que aumenta a pressão para baixo.
- Ergonomia:
7. Treino da bexiga e ajustes de hábitos
Treino da bexiga ajuda a reduzir urgência e frequência (Cleveland Clinic; Johns Hopkins):
- Diário miccional: por 2–3 dias, anote horários que urina, volume aproximado, episódios de escape e o que bebeu.
- Micção programada: estabeleça idas ao banheiro a cada 2–3 horas, mesmo sem vontade. Aos poucos, aumente o intervalo em 15 minutos, conforme a tolerância.
- Técnicas para adiar a urgência: respire profundo, sente se possível, faça 3–5 contrações rápidas do assoalho pélvico e espere o pico da vontade passar antes de caminhar ao banheiro.
- Irritantes vesicais: reduza café e chás com cafeína, refrigerantes, bebidas gaseificadas, cítricos, alimentos muito apimentados e adoçantes artificiais (Mayo Clinic). Observe sua resposta individual.
- Hidratação inteligente: mantenha água ao longo do dia, mas diminua o volume nas 2–3 horas antes de dormir para reduzir idas noturnas (Cleveland Clinic). Evite restringir líquidos em excesso.
8. Evite a constipação e reduza a pressão sobre a pelve
Evitar esforço para evacuar protege diretamente o assoalho pélvico:
- Fibra: inclua frutas, legumes, feijões e grãos integrais. Busque 25–30 g/dia, conforme tolerância.
- Água: ajuste a ingestão para que a urina fique amarelo-claro.
- Movimento: caminhada leve e alongamentos favorecem o trânsito intestinal.
- Posição no vaso: use um banquinho para elevar os pés (cócoras facilitadas), incline tronco levemente à frente e relaxe o abdômen — sem fazer força.
- Trate tosse e alergias com seu/sua profissional de saúde e, se for o caso, busque apoio para parar de fumar; tossir cronicamente aumenta a pressão intra-abdominal (Mayo Clinic).
9. Exercícios globais amigos do períneo no 2º trimestre
Movimento regular é aliado do períneo e da saúde na gestação. Sugestões seguras (ajuste com seu time de saúde):
- Caminhada moderada, 20–30 minutos, 3–5x/semana
- Agachamento adaptado (sem dor, amplitude confortável), exalando na subida
- Ponte (elevação de quadris) com foco em glúteos, evitando empurrar a barriga para cima
- Exercícios em quatro apoios: elevação alternada de braços/pernas (bird-dog) com respiração
- Fortalecimento de glúteos (abduções/mini-faixas) e adutores com bola entre os joelhos
10. Produtos de apoio e autocuidado íntimo
Enquanto você consolida os hábitos, itens de apoio aumentam o conforto:
- Absorventes específicos para escapes e calcinhas com barreira anti-vazamento
- Cremes barreira (ex.: com óxido de zinco) para proteger a pele e prevenir dermatites
- Higiene: troque produtos úmidos com frequência; lave com água morna e sabão suave; seque bem a pele
- Urina x líquido amniótico: a urina costuma ter cheiro característico e vir em jatos; o líquido amniótico é claro, aquoso e pode escorrer continuamente. Na dúvida, procure assistência imediata.
11. Como o parceiro ou a parceira pode apoiar
O apoio de quem convive com você faz diferença:
- Lembretes gentis para as séries de Kegel e o treino da bexiga
- Dividir tarefas que exigem esforço físico e oferecer pausas
- Incentivar hidratação adequada e alimentação rica em fibras
- Participar das consultas e acolher sem julgamentos sobre escapes ou idas frequentes ao banheiro
- Criar rotinas: uma caminhada juntes, alongamentos leves ou uma “pausa Kegel” após as refeições
12. Quando procurar ajuda profissional e sinais de alerta
Procure seu/sua obstetra, fisioterapia pélvica ou uroginecologia se:
- Escapes persistem e impactam seu dia a dia
- Há dor pélvica, sensação de peso acentuada ou piora com os exercícios
- Ardor ao urinar, febre, sangue na urina, dor lombar — sinais de possível infecção (Mayo Clinic)
- Suspeita de perda de líquido amniótico ou sangramento vaginal
Peça orientação profissional se tiver dúvidas sobre a técnica dos exercícios de Kegel ou se os sintomas não melhorarem.
Conclusão Cuidar do assoalho pélvico na gestação é um investimento no seu conforto agora e na sua recuperação depois. Comece hoje com pequenas ações: identifique os músculos, pratique séries curtas de Kegel com boa técnica, ajuste a respiração nos esforços e registre seu diário miccional. Se possível, agende uma avaliação com fisioterapia pélvica para personalizar seu plano.
Chamada para ação: salve este guia, compartilhe com alguém que possa se beneficiar e converse com seu time de saúde sobre o melhor plano de cuidados para você.
Referências
- ACOG – Urinary Incontinence: https://www.acog.org/womens-health/faqs/urinary-incontinence
- Cleveland Clinic – Pregnancy and Bladder Control: https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/16094-pregnancy-and-bladder-control
- Mayo Clinic – Urinary incontinence (causas e sintomas): https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/urinary-incontinence/symptoms-causes/syc-20352808
- Mayo Clinic – 2º trimestre: o que esperar: https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/pregnancy-week-by-week/in-depth/pregnancy/art-20047732
- Johns Hopkins Medicine – Urinary Incontinence in Women: https://www.hopkinsmedicine.org/health/conditions-and-diseases/urinary-incontinence/urinary-incontinence-in-women
- Stanford Health Care – Urinary Incontinence (visão geral): https://stanfordhealthcare.org/medical-conditions/primary-care/urinary-incontinence.html