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Gravidez11 min de leitura

Massagem Perineal: como reduzir lacerações no parto

Como a massagem perineal ajuda a preparar o períneo para o parto e reduzir lacerações e episiotomia. Veja evidências, passo a passo e cuidados.

Pessoa grávida realizando massagem perineal com óleo, em ambiente tranquilo, preparando o períneo para o parto.

A massagem perineal é uma técnica simples e acessível que pode ajudar a preparar o períneo para o parto. Se você quer reduzir o risco de lacerações, diminuir a chance de episiotomia e se sentir mais confiante para o momento do nascimento, este guia traz tudo o que você precisa saber — com evidências, passo a passo e dicas reais para colocar em prática.

Palavra-chave principal: massagem perineal. Secundárias: massagem perineal na gravidez, como fazer massagem perineal, evitar laceração no parto, preparar o períneo para o parto, reduzir episiotomia.

1. O que é massagem perineal e por que fazer

O períneo é a região entre a vagina e o ânus. Durante o parto vaginal, essa área precisa esticar bastante para a passagem do bebê. A massagem perineal é uma técnica de toque e alongamento suave do períneo na gestação, geralmente no terceiro trimestre, com o objetivo de aumentar a elasticidade, a flexibilidade e a consciência corporal para o expulsivo.

Como funciona:

  • Promove um alongamento gradual dos tecidos do períneo, ajudando-os a se adaptar melhor ao estiramento do parto.
  • Melhora a percepção das sensações de pressão e ardor na fase de coroamento, favorecendo o relaxamento voluntário do assoalho pélvico.
  • Pode reduzir a resistência muscular local e facilitar uma passagem mais controlada do bebê.
Benefícios em resumo:

  • Menor risco de lacerações graves (3º e 4º grau).
  • Menor necessidade de episiotomia.
  • Possível redução de dor no pós-parto imediato.

2. Benefícios comprovados: o que dizem os estudos e diretrizes

A literatura científica aponta benefícios claros do uso da massagem perineal na gravidez:

  • Redução de lacerações graves: revisões sistemáticas e meta-análises mostram menor incidência de lacerações de 3º e 4º grau entre quem pratica a técnica (Abdelhakim et al., 2020; Venugopal et al., 2022) [links: Springer; PMC].
  • Menor taxa de episiotomia: estudos indicam redução do uso de episiotomia, especialmente em primíparas (Abdelhakim et al., 2020).
  • Menos dor perineal no pós-parto: alguns ensaios relatam menor dor e desconforto nas semanas após o parto (Yin et al., 2024, BMC Pregnancy and Childbirth).
Organizações e diretrizes:

  • ACOG (Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas): reconhece que a massagem perineal, no pré-natal ou no segundo período do parto, pode diminuir a resistência muscular e reduzir lacerações (ACOG, 2018).
  • RCOG (Royal College of Obstetricians and Gynaecologists): inclui a massagem perineal como medida para reduzir o risco de lacerações e recomenda estratégias complementares no parto (RCOG, guia público).
  • Fontes clínicas confiáveis, como Mayo Clinic e Cleveland Clinic, também descrevem benefícios e orientam o início no fim do terceiro trimestre (Mayo Clinic; Cleveland Clinic).

Essencial: a massagem perineal reduz riscos, mas não garante ausência total de lacerações. O tamanho/posição do bebê, dinâmica do parto e práticas da equipe também influenciam o resultado.

3. Quando começar no terceiro trimestre, frequência e duração

  • Momento ideal: a partir de 34 a 36/37 semanas de gestação, até o parto (Cleveland Clinic; RCOG). Começar por volta de 34 semanas é o mais usual.
  • Frequência: 3 a 4 vezes por semana.
  • Duração por sessão: 5 a 10 minutos, de forma regular e gentil.
Como adaptar à rotina do casal:

  • Escolha um horário em que você esteja relaxade (após banho morno costuma ajudar).
  • Combine com o/a parceiro(a) 2 a 3 dias fixos na semana para criar consistência.
  • Se preferir sozinhe, use um espelho e opções de posição que facilitem o alcance.

4. Preparação: higiene, ambiente e lubrificantes seguros

Antes de iniciar:

  • Higiene: lave bem as mãos e mantenha as unhas curtas e lixadas para evitar microlesões.
  • Ambiente: local tranquilo, privativo e confortável; luz suave e respiração calma favorecem o relaxamento.
  • Lubrificação: use óleo vegetal natural (amêndoas doces, coco, oliva, semente de uva) ou lubrificante à base de água. Evite vaselina, óleos minerais, produtos com fragrância/mentol, óleos essenciais intravaginais e qualquer produto que gere ardência ou irritação.
Sinais de que você está prontx para começar:

  • Está no terceiro trimestre (≥34 semanas), sem sangramento, sem dor pélvica aguda, sem infecção vaginal ativa.
  • Recebeu autorização do/a profissional que acompanha seu pré-natal, especialmente se houver alguma condição de risco.

5. Passo a passo da massagem perineal (sozinha ou com apoio)

Posições possíveis:

  • Semi-reclinade na cama, com joelhos flexionados e pernas afastadas, apoiando as costas com travesseiros.
  • Em pé, com uma perna apoiada em um banco/banqueta.
  • De ladinho, com um travesseiro entre as pernas (pode ser mais confortável no fim da gestação).
Como fazer: 1. Lubrifique bem os dedos e a entrada da vagina/períneo. 2. Introduza um ou dois polegares (se for você) ou dedos indicador/médio (se for o/a parceiro[a]) cerca de 2 a 3 cm dentro da vagina, direcionando a pressão para a parede posterior (em direção ao ânus). 3. Pressão suave e sustentada: aplique uma pressão gradual para baixo e para os lados até sentir um alongamento com leve sensação de ardor suportável (sem dor forte). Mantenha por 30 a 60 segundos. 4. Movimento em U: deslize os dedos em formato de U, da lateral esquerda para a direita, alongando as fibras da borda vaginal e do períneo. Repita por 2 a 3 minutos. 5. Massagem superficial: com a polpa dos dedos, faça movimentos circulares suaves na pele do períneo (entre vagina e ânus) para aumentar a maleabilidade. 6. Respire profundamente, relaxando mandíbula, ombros e assoalho pélvico. Ajuste a pressão sempre que necessário. 7. Tempo total: 5 a 10 minutos.

Ajustes importantes:

  • A sensação esperada é de alongamento e, por vezes, um leve ardor. Dor intensa, sangramento ou desconforto persistente são sinais para parar e buscar orientação.
  • Com o tempo, é comum perceber maior flexibilidade. Progredir lentamente é mais eficaz do que usar força.

6. Como envolver o/a parceiro(a): comunicação e consentimento

A participação do/a parceiro(a) pode tornar a prática mais confortável e fortalecer o vínculo do casal:

  • Consentimento e limites: conversem antes sobre o que é confortável, estabeleçam uma palavra-sinal para pausar ou diminuir a pressão.
  • Comunicação contínua: combine escalas de 0 a 10 para avaliar a pressão ideal e ajuste em tempo real.
  • Cuidado e respeito: movimentos lentos, mãos higienizadas, unhas curtas e atenção ao retorno de quem está recebendo a massagem.
  • Clima de cuidado: música suave, luz baixa e respiração coordenada transformam o momento em um ritual de preparação para o parto.

7. Dicas de conforto e adesão: torne a rotina sustentável

  • Banho morno antes da sessão para relaxar tecidos.
  • Respiração 4-6: inspire em 4 tempos, expire em 6; ajuda a soltar o assoalho pélvico.
  • Espelho para orientação visual no início.
  • Variações de posição conforme o avanço da gestação.
  • Pequenos progressos: iniciar com 3-5 minutos e aumentar gradualmente.
  • Se o alcance estiver difícil, peça apoio do/a parceiro(a) ou converse com uma fisioterapeuta pélvica.
  • Regularidade > intensidade: sessões curtas e frequentes funcionam melhor do que longas e esporádicas.

8. Contraindicações e quando evitar a técnica

Evite a massagem perineal e converse com o/a profissional do pré-natal se houver:

  • Infecções vaginais ativas (candidíase, vaginose, herpes) ou lesões locais.
  • Sangramento vaginal, dor pélvica intensa ou contrações ritmadas antes do termo.
  • Placenta prévia ou qualquer condição em que o toque vaginal não seja recomendado.
  • Bolsa rota (rompimento das membranas) sem avaliação médica.
  • Cerclagem (ponto no colo do útero) sem liberação profissional.
Sinais de alerta durante a prática:

  • Dor forte, sangramento, corrimento com odor, febre ou ardor persistente. Nessas situações, suspenda a técnica e procure orientação.

9. Erros comuns e como corrigi-los

  • Pressão excessiva: substitua força por constância; alongamento suave e progressivo é mais seguro e eficaz.
  • Falta de lubrificação: use óleo vegetal ou lubrificante à base de água para reduzir atrito e desconforto.
  • Direção incorreta: a pressão principal é para baixo (posterior) e para as laterais, nunca para cima em direção ao púbis.
  • Baixa regularidade: crie lembretes no celular e vincule a prática a um hábito (após o banho noturno) para manter consistência.
  • Ignorar sinais do corpo: dor não é objetivo; ajuste ou pare se houver incômodo significativo.

10. Mitos e verdades sobre massagem perineal

  • “Garante que não vai rasgar.”
- Verdade: reduz risco e gravidade, mas não zera a chance de laceração. Outros fatores também contam (Abdelhakim 2020; Venugopal 2022).

  • “Induz o trabalho de parto.”
- Verdade: não há evidência de indução; a técnica atua localmente nos tecidos, não em contrações uterinas (Cleveland Clinic; Mayo Clinic).

  • “É só para quem vai ter o primeiro bebê.”
- Verdade: primíparas tendem a se beneficiar mais, mas multíparas também podem ganhar em conforto e preparo, especialmente se já tiveram trauma perineal (RCOG).

  • “Dói e pode machucar.”
- Verdade: quando bem feita, não deve doer. Use lubrificante, movimentos gentis e ajuste a pressão; interrompa se houver dor.

11. Além da massagem: outras formas de proteger o períneo no parto

Estratégias complementares baseadas em evidências:

  • Compressas mornas no segundo período do parto: reduzem lacerações graves e são recomendadas por entidades como o RCOG.
  • Posições que favorecem o períneo: lado (decúbito lateral), quatro apoios ou verticalizadas podem diminuir pressão direta no períneo em algumas situações; ajuste conforme orientação da equipe.
  • Apoio perineal com as mãos pela equipe (suporte manual) e expulsivo controlado: ajudar a “respirar” o bebê em vez de empurrar com força quando a cabeça coroar pode proteger o períneo (ACOG).
  • Evitar episiotomia de rotina: reservar o procedimento a indicações específicas diminui morbidades (ACOG; RCOG).
  • Comunicação com a equipe: compartilhe seu desejo de proteger o períneo e pergunte sobre uso de compressas mornas e suporte manual.

12. Perguntas frequentes e quando buscar orientação profissional

Perguntas frequentes (FAQ):

  • Dói fazer massagem perineal? Deve haver sensação de alongamento e, às vezes, leve ardor. Dor forte não é esperada; ajuste a pressão ou interrompa.
  • Quando começar? A partir de 34 semanas, 3–4 vezes/semana por 5–10 minutos (Cleveland Clinic; RCOG).
  • Preciso de óleo específico? Óleos vegetais puros ou lubrificantes à base de água são boas opções. Evite vaselina, fragrâncias e óleos essenciais intravaginais.
  • Pode induzir o parto? Não há evidência de indução (Mayo Clinic; Cleveland Clinic).
  • É útil se já tive bebê antes? Sim, especialmente se houve laceração ou episiotomia anterior (RCOG).
  • Tenho hemorroidas/varizes vulvares. Posso fazer? Pode ser desconfortável. Use pressão mínima e converse com seu/sua profissional de saúde.
  • E se tenho vaginismo ou dor pélvica? Procure acompanhamento com fisioterapia pélvica; pode ser preciso adaptar a técnica.
  • Fiz cerclagem. E agora? Só com liberação do/a obstetra.
  • Posso continuar com a bolsa rota? Não. Evite toques vaginais e busque avaliação.
Quando buscar orientação profissional:

  • Dúvidas sobre a técnica, dor persistente, sangramento, sinais de infecção ou condições clínicas específicas.
  • Procure obstetra, obstetriz, enfermeira obstetra ou fisioterapeuta pélvica para avaliação personalizada e demonstração prática.
Referências confiáveis para se aprofundar:

  • ACOG. Prevention and Management of Obstetric Lacerations at Vaginal Delivery (2018): https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/practice-bulletin/articles/2018/09/prevention-and-management-of-obstetric-lacerations-at-vaginal-delivery
  • RCOG. Reducing your risk of perineal tears: https://www.rcog.org.uk/for-the-public/perineal-tears-and-episiotomies-in-childbirth/reducing-your-risk-of-perineal-tears/
  • Mayo Clinic. Preventing vaginal tears during childbirth: https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/labor-and-delivery/expert-answers/preventing-vaginal-tearing-during-childbirth/faq-20416226
  • Cleveland Clinic. Perineal Massage in Pregnancy: https://health.clevelandclinic.org/perineal-massage
  • Abdelhakim AM et al. (2020). Systematic review on antenatal perineal massage: https://link.springer.com/article/10.1007/s00192-020-04302-8
  • Venugopal V et al. (2022). Meta-analysis on perineal massage: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9759438/
  • Yin J et al. (2024). BMC Pregnancy and Childbirth: https://bmcpregnancychildbirth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12884-024-06586-w
  • Pregnancy, Birth & Baby (AUS): https://www.pregnancybirthbaby.org.au/perineal-massage

Conclusão: A massagem perineal na gravidez é uma estratégia simples, segura e baseada em evidências para evitar laceração no parto (especialmente as mais graves), reduzir episiotomia e preparar o períneo para o parto. Com técnica gentil, regularidade e apoio da equipe, você aumenta suas chances de um expulsivo mais confortável.

Próximos passos:

  • Incorpore a massagem na rotina a partir de 34 semanas.
  • Alinhe expectativas e plano de proteção perineal com sua equipe de parto.
  • Se possível, agende uma sessão com fisioterapia pélvica para feedback personalizado.
Se este conteúdo ajudou, compartilhe com quem está se preparando para o parto e salve para consultar no terceiro trimestre!

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