Sinais de bolsa rompida: como é a sensação e o que fazer a seguir
Sinais de bolsa rompida: como identificar, quando ligar para a equipe, o que esperar no hospital e cuidados em gestações a termo e pré-termo.

Introdução Sentiu um "ploc", umidade repentina na roupa íntima ou um filete contínuo de líquido e ficou em dúvida se a bolsa rompeu? Você não está só. Pesquisas por "sinais de bolsa rompida" e "como saber se a bolsa estourou" aumentam no fim da gestação porque, na vida real, a ruptura da bolsa nem sempre parece cena de filme. Neste guia completo, inclusivo e baseado em evidências (ACOG, Mayo Clinic, Cleveland Clinic e StatPearls), você aprende a reconhecer os sinais, o que fazer a seguir e como se preparar com segurança.
1. Bolsa rompida 101: RPMO e RPMO pré-termo explicados
Quando falamos em “bolsa rompida”, o termo clínico é ruptura das membranas antes do trabalho de parto (PROM). Pode acontecer a termo (≥37 semanas) ou de forma pré-termo (PPROM), antes de 37 semanas. A diferenciação é essencial porque riscos e condutas mudam conforme a idade gestacional.
- Por que o líquido amniótico importa: Ele protege contra impactos, permite movimentos e desenvolvimento musculoesquelético, mantém a temperatura e é vital para a maturação pulmonar fetal. Sua perda precoce pode elevar riscos de infecção, compressão de cordão e problemas pulmonares, especialmente em idades gestacionais mais baixas.
- Frequência: PROM a termo ocorre em ~8% das gestações, e PPROM em 2–3% (ACOG Practice Bulletin 217). PPROM contribui de forma significativa para partos prematuros (ACOG; StatPearls).
2. Como reconhecer se a bolsa rompeu
Os sinais de bolsa rompida variam:
- Sensações comuns: algumas pessoas percebem um “estalo” interno (“pop”) seguido de um jato de líquido; outras notam um vazamento contínuo, tipo “torneira pingando”. Pode ser umidade constante que molha calcinha/absorvente.
- Vazamento contínuo: diferente da urina, o líquido amniótico tende a sair de forma persistente, não apenas quando você tosse ou se movimenta.
- Cor e cheiro: normalmente claro ou levemente amarelado, com cheiro neutro ou levemente adocicado. Líquido esverdeado/marrom pode indicar mecônio (precisa de avaliação imediata). Odor fétido pode sugerir infecção.
- Suspeitou? Ligue. A orientação de Mayo Clinic e Cleveland Clinic é contatar sua equipe assim que houver suspeita, pois tempo desde a ruptura até o parto influencia o risco de infecção.
3. Líquido amniótico vs urina ou corrimento: checagens simples e seguras
Distinguir vazamento de líquido amniótico de corrimento pode ser difícil em casa, mas algumas observações ajudam:
- Use um absorvente externo limpo e observe: o líquido continua saindo e molhando o absorvente em pouco tempo? Há mudança de cor/odor?
- Cheiro: amniótico tende a ser neutro/doce; urina tem odor de amônia. Corrimentos podem ser esbranquiçados e mais espessos.
- Evite riscos: não introduza nada na vagina (sem tampões, duchas ou relações sexuais). Não faça “exames de toque” por conta própria.
- Se restar dúvida, procure avaliação. Mesmo profissionais podem precisar de testes específicos — então não hesite em ir ao serviço.
4. Quando ligar para a equipe ou ir imediatamente
Procure atendimento agora se houver qualquer um destes sinais:
- Antes de 37 semanas (sintomas de RPMO pré-termo)
- Líquido verde/marrom (mecônio) ou com odor desagradável
- Febre, calafrios, mal-estar
- Sangramento vaginal intenso
- Redução dos movimentos fetais
- Sinais de prolapso de cordão: sensação de “cordão” ou tecido na vagina após o rompimento, ou cabeça do bebê “alta” e vazamento súbito acompanhado de pressão diferente — chame emergência.
Fontes: ACOG; StatPearls; Mayo Clinic.
5. O que acontece no hospital: testes e monitorização
Profissionais confirmam a ruptura e avaliam bem-estar materno-fetal com:
- Exame com espéculo (sem toque digital se possível): visualização de “pooling” (acúmulo de líquido) no fundo de saco vaginal.
- Testes do líquido: pH/nitrazina, padrão de cristalização (ferning) ou testes imunológicos específicos.
- Ultrassom: para avaliar volume de líquido (índice de líquido amniótico) e posição/apresentação fetal.
- Monitorização fetal: avaliação da frequência cardíaca (CTG/NST) e contrações.
- GBS (Streptococcus do grupo B): checagem de status e, se indicado, início de antibióticos na internação.
- Planejamento do parto: de acordo com idade gestacional, GBS, sinais de infecção e preferência compartilhada.
6. A termo (37+ semanas): indução e timing
Na PROM a termo, muitas pessoas recebem proposta de indução dentro de 24 horas para reduzir risco de infecção, especialmente se o trabalho de parto não iniciar espontaneamente.
- Evidência: o estudo TERMPROM demonstrou que indução precoce reduz infecção materna, sem aumentar taxa de cesárea ou infecção neonatal em comparação à conduta expectante (dados sintetizados em StatPearls).
- Como é feita a indução: comumente com ocitocina. O uso de prostaglandinas pode ser individualizado. Alguns guias recomendam evitar balão intracervical por maior risco de infecção, mas a prática varia por serviço.
- GBS positivo/ignorado: antibiótico intraparto indicado.
7. Pré-termo (<37 semanas): cuidados e medicações
A conduta na PPROM depende da idade gestacional e do quadro clínico.
- 34–36+6 semanas (late preterm):
- 24–33+6 semanas (early preterm):
- <24 semanas (pré-viável/periviável):
Fontes: ACOG PB 217; StatPearls; Cleveland Clinic.
8. Riscos a conhecer — e como reduzi-los
- Infecção (corioamnionite) e endometrite no pós-parto: risco aumenta com o tempo desde a ruptura.
- Prolapso de cordão e compressão do cordão: risco maior em apresentações altas/transversas.
- Como reduzir riscos até ser avaliada(o):
Fontes: Mayo Clinic; ACOG; StatPearls.
9. Mitos e fatos sobre a bolsa rompida
- Mito: sempre é uma “cena de filme” com jato dramático.
- Mito: o trabalho de parto começa imediatamente.
- Mito: tomar banho de banheira está liberado.
10. Checklist do(a) parceiro(a)/acompanhante: como ajudar
- Cronometrar e anotar: hora do início do vazamento, cor/odor, presença de contrações e movimentos fetais.
- Preparar transporte e documentos: plano de rota, contato do serviço e do profissional, carteirinha/identificação, exames de pré-natal.
- Arrumar a mala e itens essenciais: carregadores, roupas, itens de higiene, lanches leves.
- Manter o ambiente calmo: oferecer água, apoio emocional, respirações guiadas.
- Advocacia na triagem: relatar sinais (cor do líquido, febre, sangramento, movimentos fetais), GBS e alergias.
11. Prepare-se com antecedência no terceiro trimestre
- Mala da maternidade pronta a partir de 34–35 semanas.
- Protetores impermeáveis para cama e banco do carro.
- Telefones salvos (profissional, hospital, plano de saúde, rede de apoio).
- Conheça sua sorologia GBS e plano em caso de bolsa rota.
- Relembre os sinais de trabalho de parto no terceiro trimestre: contrações regulares e dolorosas, perda do tampão mucoso, pressão pélvica, dor lombar.
- Combine cuidados com pets/filhos e alternativas de transporte.
12. Perguntas frequentes (FAQs)
- Quanto tempo até o trabalho de parto começar depois que a bolsa rompe?
- As membranas podem “fechar” de novo?
- Posso tomar banho?
- Posso viajar após a ruptura?
- E se eu tiver gêmeos ou cesárea anterior?
- O que fazer quando a bolsa rompe e não tenho certeza?
13. Fontes e diretrizes
- ACOG Practice Bulletin No. 217 – Prelabor Rupture of Membranes (2020): https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/practice-bulletin/articles/2020/03/prelabor-rupture-of-membranes
- Mayo Clinic – Water breaking: https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/labor-and-delivery/in-depth/water-breaking/art-20044142
- Cleveland Clinic – Premature Rupture of Membranes: https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/24561-premature-rupture-of-membranes
- StatPearls/NCBI – Preterm and Term Prelabor Rupture of Membranes (2024): https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK532888/
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