Voltar ao Blog
Gravidez11 min de leitura

Sinais de bolsa rompida: como é a sensação e o que fazer a seguir

Sinais de bolsa rompida: como identificar, quando ligar para a equipe, o que esperar no hospital e cuidados em gestações a termo e pré-termo.

Pessoa grávida olhando o absorvente externo após suspeita de vazamento de líquido amniótico, ao lado da mala da maternidade

Introdução Sentiu um "ploc", umidade repentina na roupa íntima ou um filete contínuo de líquido e ficou em dúvida se a bolsa rompeu? Você não está só. Pesquisas por "sinais de bolsa rompida" e "como saber se a bolsa estourou" aumentam no fim da gestação porque, na vida real, a ruptura da bolsa nem sempre parece cena de filme. Neste guia completo, inclusivo e baseado em evidências (ACOG, Mayo Clinic, Cleveland Clinic e StatPearls), você aprende a reconhecer os sinais, o que fazer a seguir e como se preparar com segurança.

1. Bolsa rompida 101: RPMO e RPMO pré-termo explicados

Quando falamos em “bolsa rompida”, o termo clínico é ruptura das membranas antes do trabalho de parto (PROM). Pode acontecer a termo (≥37 semanas) ou de forma pré-termo (PPROM), antes de 37 semanas. A diferenciação é essencial porque riscos e condutas mudam conforme a idade gestacional.

  • Por que o líquido amniótico importa: Ele protege contra impactos, permite movimentos e desenvolvimento musculoesquelético, mantém a temperatura e é vital para a maturação pulmonar fetal. Sua perda precoce pode elevar riscos de infecção, compressão de cordão e problemas pulmonares, especialmente em idades gestacionais mais baixas.
  • Frequência: PROM a termo ocorre em ~8% das gestações, e PPROM em 2–3% (ACOG Practice Bulletin 217). PPROM contribui de forma significativa para partos prematuros (ACOG; StatPearls).
Referências: ACOG PB 217; StatPearls/NCBI (2024).

2. Como reconhecer se a bolsa rompeu

Os sinais de bolsa rompida variam:

  • Sensações comuns: algumas pessoas percebem um “estalo” interno (“pop”) seguido de um jato de líquido; outras notam um vazamento contínuo, tipo “torneira pingando”. Pode ser umidade constante que molha calcinha/absorvente.
  • Vazamento contínuo: diferente da urina, o líquido amniótico tende a sair de forma persistente, não apenas quando você tosse ou se movimenta.
  • Cor e cheiro: normalmente claro ou levemente amarelado, com cheiro neutro ou levemente adocicado. Líquido esverdeado/marrom pode indicar mecônio (precisa de avaliação imediata). Odor fétido pode sugerir infecção.
  • Suspeitou? Ligue. A orientação de Mayo Clinic e Cleveland Clinic é contatar sua equipe assim que houver suspeita, pois tempo desde a ruptura até o parto influencia o risco de infecção.
Fontes: Mayo Clinic; Cleveland Clinic.

3. Líquido amniótico vs urina ou corrimento: checagens simples e seguras

Distinguir vazamento de líquido amniótico de corrimento pode ser difícil em casa, mas algumas observações ajudam:

  • Use um absorvente externo limpo e observe: o líquido continua saindo e molhando o absorvente em pouco tempo? Há mudança de cor/odor?
  • Cheiro: amniótico tende a ser neutro/doce; urina tem odor de amônia. Corrimentos podem ser esbranquiçados e mais espessos.
  • Evite riscos: não introduza nada na vagina (sem tampões, duchas ou relações sexuais). Não faça “exames de toque” por conta própria.
  • Se restar dúvida, procure avaliação. Mesmo profissionais podem precisar de testes específicos — então não hesite em ir ao serviço.
Fontes: Cleveland Clinic; Mayo Clinic.

4. Quando ligar para a equipe ou ir imediatamente

Procure atendimento agora se houver qualquer um destes sinais:

  • Antes de 37 semanas (sintomas de RPMO pré-termo)
  • Líquido verde/marrom (mecônio) ou com odor desagradável
  • Febre, calafrios, mal-estar
  • Sangramento vaginal intenso
  • Redução dos movimentos fetais
  • Sinais de prolapso de cordão: sensação de “cordão” ou tecido na vagina após o rompimento, ou cabeça do bebê “alta” e vazamento súbito acompanhado de pressão diferente — chame emergência.
Se estiver a termo e com líquido claro e movimentos normais, siga as orientações da sua equipe, que geralmente indicará ir ao hospital para avaliação.

Fontes: ACOG; StatPearls; Mayo Clinic.

5. O que acontece no hospital: testes e monitorização

Profissionais confirmam a ruptura e avaliam bem-estar materno-fetal com:

  • Exame com espéculo (sem toque digital se possível): visualização de “pooling” (acúmulo de líquido) no fundo de saco vaginal.
  • Testes do líquido: pH/nitrazina, padrão de cristalização (ferning) ou testes imunológicos específicos.
  • Ultrassom: para avaliar volume de líquido (índice de líquido amniótico) e posição/apresentação fetal.
  • Monitorização fetal: avaliação da frequência cardíaca (CTG/NST) e contrações.
  • GBS (Streptococcus do grupo B): checagem de status e, se indicado, início de antibióticos na internação.
  • Planejamento do parto: de acordo com idade gestacional, GBS, sinais de infecção e preferência compartilhada.
Fontes: ACOG PB 217; StatPearls.

6. A termo (37+ semanas): indução e timing

Na PROM a termo, muitas pessoas recebem proposta de indução dentro de 24 horas para reduzir risco de infecção, especialmente se o trabalho de parto não iniciar espontaneamente.

  • Evidência: o estudo TERMPROM demonstrou que indução precoce reduz infecção materna, sem aumentar taxa de cesárea ou infecção neonatal em comparação à conduta expectante (dados sintetizados em StatPearls).
  • Como é feita a indução: comumente com ocitocina. O uso de prostaglandinas pode ser individualizado. Alguns guias recomendam evitar balão intracervical por maior risco de infecção, mas a prática varia por serviço.
  • GBS positivo/ignorado: antibiótico intraparto indicado.
Fontes: ACOG; TERMPROM (via StatPearls).

7. Pré-termo (<37 semanas): cuidados e medicações

A conduta na PPROM depende da idade gestacional e do quadro clínico.

  • 34–36+6 semanas (late preterm):
- GBS positivo: via de regra, indicar parto. - GBS negativo/desconhecido: pode-se considerar manejo expectante até 37 semanas, equilibrando menor taxa de cesárea versus maior risco de infecção/hemorragia. Decisão compartilhada é central. - Corticoide: recomendado se parto antes de 37 semanas é provável. - Em geral, não se indicam antibióticos de latência ou tocolíticos neste período.

  • 24–33+6 semanas (early preterm):
- Manejo expectante se não houver contraindicações materno-fetais. - Corticoide antenatal (curso único) para maturação pulmonar. - Antibióticos de latência por 7 dias para prolongar a gestação e reduzir infecções. - Sulfato de magnésio para neuroproteção fetal até 31+6 semanas. - Tocolítico pode ser considerado por até 48h (<34s) para completar corticoide. - Monitorização hospitalar para sinais de infecção, trabalho de parto e bem-estar fetal.

  • <24 semanas (pré-viável/periviável):
- Aconselhamento individualizado sobre riscos e prognóstico. O manejo expectante tem riscos maternos importantes (infecção grave, hemorragia) e, em geral, resultados neonatais limitados.

Fontes: ACOG PB 217; StatPearls; Cleveland Clinic.

8. Riscos a conhecer — e como reduzi-los

  • Infecção (corioamnionite) e endometrite no pós-parto: risco aumenta com o tempo desde a ruptura.
  • Prolapso de cordão e compressão do cordão: risco maior em apresentações altas/transversas.
  • Como reduzir riscos até ser avaliada(o):
- Não ter relações sexuais; não usar tampões; nada na vagina. - Preferir chuveiro em vez de banheira/piscina até avaliação. - Usar absorventes externos limpos; trocar com frequência. - Anotar horário do início do vazamento, cor/cheiro e movimentação fetal. - Evitar longos deslocamentos; organizar transporte ao serviço de referência.

Fontes: Mayo Clinic; ACOG; StatPearls.

9. Mitos e fatos sobre a bolsa rompida

  • Mito: sempre é uma “cena de filme” com jato dramático.
- Fato: muitas vezes é um filete contínuo ou apenas umidade persistente (Mayo, Cleveland Clinic).

  • Mito: o trabalho de parto começa imediatamente.
- Fato: pode demorar horas (às vezes até 24h) para engrenar. Por isso, a indução costuma ser oferecida a termo (ACOG; TERMPROM).

  • Mito: tomar banho de banheira está liberado.
- Fato: após a ruptura, a barreira contra bactérias diminui; prefira chuveiro até ser avaliada(o).

10. Checklist do(a) parceiro(a)/acompanhante: como ajudar

  • Cronometrar e anotar: hora do início do vazamento, cor/odor, presença de contrações e movimentos fetais.
  • Preparar transporte e documentos: plano de rota, contato do serviço e do profissional, carteirinha/identificação, exames de pré-natal.
  • Arrumar a mala e itens essenciais: carregadores, roupas, itens de higiene, lanches leves.
  • Manter o ambiente calmo: oferecer água, apoio emocional, respirações guiadas.
  • Advocacia na triagem: relatar sinais (cor do líquido, febre, sangramento, movimentos fetais), GBS e alergias.

11. Prepare-se com antecedência no terceiro trimestre

  • Mala da maternidade pronta a partir de 34–35 semanas.
  • Protetores impermeáveis para cama e banco do carro.
  • Telefones salvos (profissional, hospital, plano de saúde, rede de apoio).
  • Conheça sua sorologia GBS e plano em caso de bolsa rota.
  • Relembre os sinais de trabalho de parto no terceiro trimestre: contrações regulares e dolorosas, perda do tampão mucoso, pressão pélvica, dor lombar.
  • Combine cuidados com pets/filhos e alternativas de transporte.

12. Perguntas frequentes (FAQs)

  • Quanto tempo até o trabalho de parto começar depois que a bolsa rompe?
- A termo, muitas pessoas entram em trabalho em 12–24 horas. Para reduzir infecção, costuma-se propor indução dentro de 24 horas se não houver contrações (ACOG; TERMPROM).

  • As membranas podem “fechar” de novo?
- Raramente pequenos vazamentos diminuem, mas verdadeira “cicatrização” é incomum. Persistindo suspeita, procure avaliação.

  • Posso tomar banho?
- Prefira chuveiro curto e higienização externa. Evite banheira/piscina até avaliação.

  • Posso viajar após a ruptura?
- Não é recomendado. Procure o hospital/serviço mais próximo para avaliação imediata.

  • E se eu tiver gêmeos ou cesárea anterior?
- Planos podem ser personalizados. Em gêmeos, há maior chance de apresentação não cefálica e outras considerações. Em cesárea prévia, o método de indução e monitorização pode ser ajustado. Converse com sua equipe.

  • O que fazer quando a bolsa rompe e não tenho certeza?
- Use um absorvente, observe cor/odor, evite inserir qualquer coisa na vagina e contate sua equipe para orientação.

13. Fontes e diretrizes

  • ACOG Practice Bulletin No. 217 – Prelabor Rupture of Membranes (2020): https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/practice-bulletin/articles/2020/03/prelabor-rupture-of-membranes
  • Mayo Clinic – Water breaking: https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/labor-and-delivery/in-depth/water-breaking/art-20044142
  • Cleveland Clinic – Premature Rupture of Membranes: https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/24561-premature-rupture-of-membranes
  • StatPearls/NCBI – Preterm and Term Prelabor Rupture of Membranes (2024): https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK532888/
Conclusão Reconhecer os sinais de bolsa rompida e saber os próximos passos traz tranquilidade e segurança. Se houver qualquer suspeita de que a bolsa estourou, observe cor/odor, use um absorvente externo e contate sua equipe imediatamente — especialmente antes de 37 semanas ou se o líquido estiver descolorido. A boa notícia é que, com avaliação oportuna e condutas baseadas em diretrizes (ACOG, Mayo, Cleveland Clinic, StatPearls), os desfechos costumam ser muito positivos.

Chamada para ação: salve este guia, compartilhe com seu(sua) acompanhante e deixe seus contatos de emergência à mão. Se você está no terceiro trimestre, revise seu plano de ação hoje.

gravidezterceiro trimestretrabalho de partobolsa rompidaRPMORPMO pré-termodicas de gravidezpreparação para o partosaúde maternaparceiros