Hemorroidas no 2º trimestre: causas, alívio e prevenção
Hemorroidas na gravidez costumam piorar no 2º trimestre. Entenda causas, sinais de alerta e estratégias práticas e seguras de alívio e prevenção.

Hemorroidas no 2º trimestre: causas, alívio e prevenção
Quando a gestação avança, é comum notar que as hemorroidas no segundo trimestre ficam mais frequentes e incômodas. Se você está passando por isso, não está só — e há muito que pode ser feito, com segurança, para aliviar os sintomas e prevenir pioras.
Palavra-chave prática: como aliviar hemorroidas na gravidez? Com pequenos ajustes diários — alimentação, hidratação, hábitos no vaso e cuidados locais — é possível reduzir dor, coceira e sangramento.
A seguir, um guia completo, baseado em evidências, para entender por que as hemorroidas na gravidez tendem a aumentar no 2º trimestre e como cuidar de si com confiança.
1. Hemorroidas no 2º trimestre: o que são e por que aumentam
As hemorroidas são veias dilatadas no reto e no ânus. Elas fazem parte da anatomia normal, mas se tornam sintomáticas quando inflamam ou se distendem.
- Internas: ficam dentro do reto. Podem sangrar ao evacuar e, em graus mais avançados, prolapsar (sair pelo ânus).
- Externas: ficam sob a pele ao redor do ânus. Tendem a causar dor, coceira e, quando formam coágulos, dor súbita e intensa (trombose hemorroidária).
- O útero cresce de modo acelerado, aumentando a pressão sobre as veias pélvicas e a veia cava inferior, o que dificulta o retorno venoso da região anal.
- Há aumento do volume sanguíneo na gestação (cerca de 30–50%), sobrecarregando o sistema venoso.
- A progesterona relaxa as paredes dos vasos e lentifica o intestino, favorecendo a constipação na gravidez.
- A pressão intra-abdominal cresce com o desenvolvimento do bebê.
2. É comum na gravidez? O que dizem os dados
A ocorrência de hemorroidas na gravidez é alta. Estimativas variam de 25–35% até >50% em alguns grupos, especialmente no fim da gestação. Estudos recentes mostram ainda a coocorrência com fissuras anais, com prevalências combinadas elevadas — um trabalho de 2024 indica que até 85% das pessoas grávidas podem ter sintomas de hemorroidas e/ou fissuras ao longo da gestação (PMC10849161).
- Em um estudo prospectivo, quase 45% desenvolveram doença perianal durante a gestação (PMC10849161).
- Em questionário autorreferido, 51% relataram sintomas hemorroidários, mais comuns no 2º e 3º trimestres (PMC11064321).
- A qualidade de vida pode ser significativamente afetada por dor, coceira e sangramento (PMC10849161).
Em cerca de 16% dos casos, os sintomas podem persistir até 6 meses após o parto (PMC10849161). Cuidar bem durante a gestação e no puerpério faz diferença.
Referências principais: ACOG; Cleveland Clinic; Mayo Clinic; Johns Hopkins; e revisões em PMC (PMC2278306; PMC10849161; PMC11064321).
3. Principais causas no segundo trimestre
- Pressão do útero e do bebê nas veias pélvicas: dificulta o retorno venoso, favorecendo o ingurgitamento das veias hemorroidárias (Cleveland Clinic).
- Aumento do volume sanguíneo: mais sangue circulando aumenta a carga nas veias do assoalho pélvico (Cleveland Clinic; Johns Hopkins Medicine).
- Progesterona: relaxa a musculatura lisa dos vasos (veias mais “flácidas”) e deixa o intestino mais lento, elevando o risco de constipação e esforço evacuatório (PMC2278306; Cleveland Clinic).
- Constipação na gravidez: evacuações difíceis e ressecadas aumentam a pressão no canal anal; o esforço agrava hemorroidas existentes e pode desencadear novas (Mayo Clinic; PMC10849161).
- Maior pressão intra-abdominal: típica do avanço gestacional e, mais tarde, do trabalho de parto, sobrecarrega o plexo hemorroidário (PMC2278306; PMC10849161).
4. Sinais e sintomas: quando se preocupar
Os principais sintomas de hemorroida na gravidez incluem:
- Dor ou desconforto anal, pior ao evacuar
- Coceira e irritação local
- Sangramento vermelho vivo no papel higiênico ou pingos no vaso
- Nódulos ou “carocinhos” na borda anal (hemorroidas externas)
- Sensação de peso, umidade ou esvaziamento incompleto
- Trombose hemorroidária externa: dor súbita, intensa, com nódulo duro e muito sensível
- Esperados: leve sangramento esporádico, coceira, desconforto controlável com medidas caseiras.
- Alarme: sangramento volumoso (encher o vaso ou gotejar continuamente), dor súbita e intensa, febre, secreção purulenta, tontura/desmaio, ou um nódulo duro e muito doloroso. Nesses casos, procure atendimento.
Qualquer sangramento pelo ânus na gravidez merece avaliação do/da obstetra para confirmar a causa e orientar com segurança (ACOG; Mayo Clinic).
5. Alívio em casa: alimentação rica em fibras e hidratação
O passo mais potente para diminuir o esforço evacuatório é regular o intestino.
- Fibras (25–30 g/dia): aumentam o volume e maciez das fezes, facilitando a evacuação. Inclua:
- Hidratação (2–3 L/dia): água ao longo do dia é essencial para que as fibras funcionem. Chás sem cafeína e caldos leves também contam.
- Atividade física leve e segura na gestação: caminhada, hidroginástica/natação e ioga pré-natal melhoram o trânsito intestinal e a circulação (Mayo Clinic; ACOG). Converse com o/a obstetra sobre o que é adequado para você.
- Aumente fibras aos poucos para evitar gases e distensão.
- Associe sempre fibras + água.
- Mantenha uma rotina: horários regulares de refeição, pequenos lanches ricos em fibras e tempo diário para evacuar sem pressa.
6. Banho de assento, compressas e higiene gentil: passo a passo
O banho de assento na gravidez é simples, seguro e eficaz para aliviar dor e coceira.
Passo a passo do banho de assento:
1. Encha uma bacia própria ou a banheira com água morna (não quente).
2. Sente-se por 10–15 minutos, 2–3 vezes ao dia, especialmente após evacuar.
3. Seque a região com toque suave, sem esfregar (use uma toalha macia ou papel higiênico umedecido e sem perfume).
Outros cuidados locais:
- Compressas frias por 10–15 minutos aliviam dor e reduzem o inchaço.
- Hamamélis (witch hazel) em pads/lenços pode ajudar na coceira e no edema superficial.
- Higiene gentil: lave com água morna (ducha higiênica ou squeeze/peri-bottle). Evite sabonetes perfumados, lenços com álcool e fricção vigorosa.
Evite adicionar substâncias irritantes ao banho. Sal de cozinha geralmente não é necessário; se usar, que seja em pequena quantidade e sem fragrâncias — e pare se houver ardor. Quando em dúvida, converse com o/a obstetra (ACOG; Mayo Clinic).
7. Hábitos no vaso: evitar força e melhorar a posição
- Atenda ao desejo de evacuar assim que surgir — segurar favorece fezes ressecadas.
- Limite o tempo no vaso (5–10 minutos). Evite levar celular ou leitura para não prolongar.
- Não faça força. Se não sair, levante, caminhe um pouco, beba água e tente depois.
- Use um banquinho para elevar os pés (joelhos acima do quadril): essa posição alinha o ângulo anorretal e facilita a evacuação sem esforço.
8. Pomadas e medicamentos: o que pode na gestação
Durante a gravidez, evite automedicação. Algumas opções podem ser úteis, sempre com orientação do/da obstetra:
- Suplementos de fibras (ex.: fibras solúveis como psyllium) quando a dieta não é suficiente.
- Amaciantes de fezes indicados pelo/ pela profissional para reduzir o esforço.
- Pomadas tópicas por curto prazo, quando recomendadas: com anestésicos leves, corticoides de baixa potência e/ou hamamélis para coceira e inflamação local.
- Analgesia segura conforme prescrição, se a dor estiver impactando atividades diárias.
9. Quando procurar atendimento médico
Busque avaliação profissional se houver:
- Sangramento volumoso ou persistente
- Dor intensa, súbita, especialmente com nódulo duro (suspeita de trombose)
- Febre, calafrios, secreção purulenta
- Sintomas que não melhoram após 1–2 semanas de cuidados em casa
- Dúvida diagnóstica (para diferenciar de fissura anal, pólipos, outras causas)
10. Pós-parto: o que esperar e como prevenir recaídas
- É comum piorar logo após o parto, especialmente após esforço no período expulsivo, e melhorar gradualmente nas semanas seguintes (ACOG).
- Mantenha a rotina: fibras + água, não forçar no vaso e respeitar o tempo do intestino.
- Alívio local: banho de assento, compressas, higiene suave.
- Ajuste a analgesia conforme orientação (especialmente se amamentando).
- Algumas pessoas têm sintomas persistentes por meses; acompanhamento e prevenção contínua ajudam a evitar recaídas (PMC10849161).
11. Erros comuns e como evitá-los
- Adiar a consulta por vergonha — falar cedo ajuda e evita complicações.
- Usar pomadas e supositórios por conta própria — confirme segurança na gestação.
- Negligenciar fibras e água — pilares do tratamento.
- Fazer higiene agressiva (esfregar, produtos perfumados) — irrite menos, cuide mais.
- Ficar muito tempo sentado(a) ou em pé — faça pausas, movimente-se.
- Sedentarismo — adote atividade compatível com a gestação.
12. Perguntas frequentes (FAQ)
Hemorroida prejudica o bebê?
Não. As hemorroidas impactam o conforto de quem está grávida, mas não afetam diretamente o bebê. O foco é aliviar sintomas e prevenir sangramentos ou dor intensa (ACOG; Mayo Clinic).
Banho de assento com sal pode?
Água morna simples já ajuda muito. Pequenas quantidades de sal sem aditivos em água morna tendem a ser seguras para muitas pessoas, mas não são indispensáveis. Evite substâncias perfumadas/irritantes e interrompa se arder. Em caso de dúvida, converse com o/a obstetra (ACOG; Mayo Clinic).
Hamamélis é segura na gravidez?
O uso tópico (pads/lenços) é geralmente considerado seguro para alívio de coceira e inchaço. Ainda assim, confirme com seu/sua obstetra antes de iniciar (ACOG; Mayo Clinic).
Exercício ajuda?
Sim. Caminhadas, hidroginástica/natação e ioga pré-natal estimulam o intestino e melhoram o retorno venoso, reduzindo o risco de crise hemorroidária (Mayo Clinic; ACOG).
Quanto tempo leva para melhorar?
Com medidas consistentes (fibras, água, hábitos no vaso, banho de assento), muitas pessoas notam alívio em dias e melhora sustentada em 1–2 semanas. Persistência é essencial.
Quando a cirurgia é indicada?
Procedimentos são, em geral, evitados durante a gestação e considerados no pós-parto se houver sintomas persistentes. Exceções: dor incapacitante por trombose externa recente pode exigir procedimento de alívio (PMC2278306; ACOG).
Conclusão: você não está só — e há alívio possível
Hemorroidas no segundo trimestre são comuns, mas não precisam dominar sua gestação. Ao combinar fibras + hidratação, hábitos corretos no vaso, banho de assento e cuidados tópicos seguros, é possível aliviar e prevenir crises. Se houver sinais de alarme ou se os sintomas não melhorarem, fale com seu/sua obstetra — quanto antes, melhor.
Cuidar de você é cuidar do seu bebê. Se precisar, anote suas dúvidas e leve-as à próxima consulta. Você merece conforto e segurança em cada etapa.
Fontes e leituras recomendadas
- ACOG – “What can I do for hemorrhoids during pregnancy?”: https://www.acog.org/womens-health/experts-and-stories/ask-acog/what-can-i-do-for-hemorrhoids-during-pregnancy
- Cleveland Clinic – “Hemorrhoids During Pregnancy”: https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/23498-pregnancy-hemorrhoids
- Mayo Clinic – “Hemorrhoids during pregnancy: What’s the best treatment?”: https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/pregnancy-week-by-week/expert-answers/hemorrhoids-during-pregnancy/faq-20058149
- Johns Hopkins Medicine – “Hemorrhoids”: https://www.hopkinsmedicine.org/health/conditions-and-diseases/hemorrhoids
- Revisões e estudos: PMC2278306, PMC10849161, PMC11064321 (PubMed Central)