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Causas das hemorroidas no 3º trimestre: entenda e previna

Por que as hemorroidas pioram no 3º trimestre? Veja causas, riscos e passos práticos para prevenir e aliviar com segurança, baseados em evidências.

Pessoa gestante no terceiro trimestre sentada com almofada em anel, preparando banho de assento morno para aliviar hemorroidas.

As hemorroidas no terceiro trimestre podem ser um desafio extra em uma fase já intensa da gestação. A boa notícia é que entender as causas ajuda a prevenir e aliviar com segurança, mantendo a qualidade de vida de pessoas gestantes e de seus parceiros(as).

Visão geral: por que falar de hemorroidas no 3º trimestre

As hemorroidas são muito frequentes no fim da gestação. Estimativas apontam que 30 a 40% das pessoas gestantes apresentem o problema, e alguns estudos relatam prevalências ainda maiores no segundo e especialmente no terceiro trimestre, chegando a mais da metade dos casos em certas populações (Cleveland Clinic; BMC Pregnancy and Childbirth). Esse quadro pode impactar sono, rotina, bem-estar emocional e a experiência do parto e do puerpério, por isso é tema essencial no pré-natal. Referências: Cleveland Clinic, BMC Pregnancy and Childbirth.

Prevenir constipação e reduzir pressão sobre as veias pélvicas são as estratégias com melhor custo-benefício para o terceiro trimestre.

O que são hemorroidas: internas x externas e graus

Hemorroidas são vasos do plexo hemorroidário que ficam dilatados e sintomáticos. Podem ser:

  • Externas: ficam sob a pele ao redor do ânus; tendem a doer mais, principalmente se houver trombose, e podem formar nódulos sensíveis.
  • Internas: localizadas dentro do reto; costumam causar sangramento vermelho vivo, sensação de peso ou prolapso.
A classificação das hemorroidas internas por graus ajuda a guiar o manejo:

  • Grau I: sangram, sem prolapso.
  • Grau II: prolapsam ao evacuar e retornam sozinhas.
  • Grau III: prolapsam e precisam de redução manual.
  • Grau IV: prolapsadas permanentemente; podem doer muito e trombosar.
Essa diferenciação importa porque sintomas e cuidados variam conforme o tipo e o grau. Revisões acadêmicas reforçam a relevância dessa classificação para orientar condutas conservadoras durante a gravidez (BMC Pregnancy and Childbirth; e-EMJ). Fontes: BMC, e-EMJ.

Por que pioram no 3º trimestre

No terceiro trimestre, o bebê cresce rápido, o útero ocupa mais espaço e a pressão intra-abdominal aumenta. Somam-se mudanças hormonais e circulatórias típicas da gestação, que facilitam a dilatação venosa e a constipação. O resultado é maior congestão no plexo hemorroidário e mais risco de dor, sangramento e prolapso. Referências: Stanford Medicine Children’s Health, Cleveland Clinic.

Causa 1: pressão do útero e retorno venoso dificultado

Com o útero volumoso, há compressão de veias pélvicas e da veia cava inferior. Esse efeito dificulta o retorno venoso das pernas e da pelve, aumenta a pressão hidrostática e favorece o ingurgitamento dos vasos hemorroidários. No reto e canal anal, essa congestão pode aparecer como desconforto, edema, prolapso e, em alguns casos, trombose hemorroidária externa, que cursa com dor intensa de início súbito. Alternar posições, deitar em decúbito lateral esquerdo quando possível e evitar longos períodos sentada(o) ou em pé ajudam a reduzir a estase venosa (Stanford Medicine Children’s Health).

Causa 2: hormônios da gestação, especialmente a progesterona

A progesterona relaxa a musculatura lisa dos vasos e do trato gastrointestinal. Esse relaxamento diminui o tônus venoso, facilitando a dilatação, e também retarda o trânsito intestinal, contribuindo para a constipação. Com fezes mais ressecadas e evacuações mais difíceis, aumenta a chance de esforço, um gatilho importante para piorar hemorroidas no terceiro trimestre. Fontes: ACOG, Mayo Clinic.

Causa 3: aumento do volume sanguíneo e dilatação venosa

A gestação eleva o volume sanguíneo circulante em aproximadamente 30 a 50%. Essa hipervolemia favorece a distensão das veias pelo corpo, inclusive no plexo hemorroidário. Quando somada à pressão mecânica do útero e às alterações hormonais, cria o cenário perfeito para surgirem ou piorarem hemorroidas no terceiro trimestre (Cleveland Clinic; BMC). Referência: Cleveland Clinic.

Causa 4: constipação e esforço para evacuar

A constipação na gravidez é muito comum e, no terceiro trimestre, tende a se acentuar. Fezes duras, adiar a ida ao banheiro e fazer força para evacuar aumentam rapidamente a pressão dentro do reto e do canal anal. Esse pico pressórico agrava o ingurgitamento venoso, favorece prolapso e sangramento, e pode desencadear fissuras anais, que também doem e sangram ao evacuar. Prevenir constipação com fibra, hidratação e hábitos intestinais saudáveis é o pilar para proteger o assoalho pélvico e o plexo hemorroidário (Mayo Clinic; NHS). Fontes: Mayo Clinic, NHS.

Fatores de risco e gatilhos do dia a dia

Alguns pontos aumentam a chance de hemorroidas na gravidez e de piora no fim da gestação:

  • Histórico prévio de hemorroidas ou varizes
  • Multiparidade
  • Ganho de peso excessivo
  • Sedentarismo e constipação crônica
  • Longos períodos sentada(o) ou em pé
  • Adiar o desejo de evacuar e fazer força no vaso
  • Dieta pobre em fibras e baixa ingestão de água

O que dizem as diretrizes e as evidências

As recomendações de entidades respeitadas convergem para medidas conservadoras e seguras na gestação:

  • ACOG: prioriza prevenção da constipação com 25 a 30 g de fibras por dia, hidratação adequada e atividade física leve. Indica banhos de assento mornos, compressas frias e uso criterioso de produtos tópicos com orientação do time de obstetrícia (ACOG). Fonte: ACOG.
  • Mayo Clinic: reforça higiene suave, evitar sabonetes na água do banho de assento, almofada em anel para aliviar pressão quando sentada(o) e, se necessário, orientação médica para fibras suplementares e amolecedores de fezes seguros (Mayo Clinic). Fonte: Mayo Clinic.
  • NHS: recomenda exercícios leves, evitar ficar muito tempo na mesma posição e não fazer força ao evacuar; destaca que a maioria melhora após o parto (NHS). Fonte: NHS.
  • Cleveland Clinic: orienta foco em hábitos intestinais, banhos de assento e avaliação médica diante de sangramento retal para descartar outras causas (Cleveland Clinic). Fonte: Cleveland Clinic.

Quando procurar atendimento: sinais de alerta

Embora hemorroidas na gravidez geralmente sejam benignas, alguns sinais pedem avaliação profissional:

  • Dor anal intensa e súbita, com nódulo sensível e arroxeado (suspeita de trombose)
  • Sangramento retal abundante ou persistente
  • Febre, secreção ou mau cheiro local
  • Massa prolapsada que não reduz
  • Sintomas que não melhoram com cuidados domiciliares
  • Dúvida diagnóstica, especialmente para excluir fissura anal, abscesso ou outras causas de sangramento

Todo sangramento retal na gestação deve ser comunicado ao(à) profissional de saúde para diagnóstico e plano seguros.

Prevenção e alívio baseados nas causas: passo a passo prático

Abaixo, um plano simples e efetivo para o terceiro trimestre, alinhado às diretrizes citadas.

Otimize fibras e líquidos

  • Fibras: 25–30 g por dia a partir de frutas, verduras, leguminosas, aveia e integrais. Se necessário, converse sobre uso de suplementos de fibra solúvel.
  • Hidratação: 8 a 12 copos de água ao dia, ajustando ao clima e à atividade. Sucos de ameixa e chás sem cafeína podem ajudar.

Hábitos intestinais amigáveis

  • Responda ao desejo de evacuar assim que surgir; adiar resseca mais as fezes.
  • Evite fazer força. Se sentir necessidade frequente de empurrar, reforce fibra e líquidos.
  • Use um banquinho para elevar os pés no vaso, simulando agachamento e facilitando a evacuação.

Mexa o corpo e alivie a pressão

  • Atividade física leve diária, como caminhada ou hidroginástica, se liberada pela obstetrícia.
  • Faça pausas para não ficar muito tempo sentada(o) ou em pé; mude de posição a cada 30–60 minutos.
  • Quando sentar, prefira almofada em anel para redistribuir a pressão.

Medidas locais que funcionam

  • Banho de assento morno por 10–15 minutos, 2–3 vezes ao dia e após evacuar.
  • Compressas frias por 10–20 minutos para reduzir dor e edema.
  • Higiene suave: limpe com água, lenços umedecidos sem perfume ou compressas com hamamélis; seque com toques leves.
  • Produtos tópicos: alguns cremes, pomadas ou supositórios podem aliviar coceira e dor. Use apenas com orientação do(a) obstetra para garantir segurança na gestação.
  • Em casos selecionados, o(a) profissional pode indicar amolecedores de fezes por curto período.

Ajustes de rotina que somam

  • Planeje refeições com fibra ao longo do dia, não só em uma refeição.
  • Inclua fontes de magnésio da dieta conforme tolerado, como sementes e leguminosas.
  • Se possível, deite ocasionalmente em decúbito lateral esquerdo para favorecer retorno venoso pélvico.

O pilar da prevenção é combater a constipação. Pequenas mudanças sustentadas geram grande alívio no terceiro trimestre.

Mitos e verdades rápidos

  • Mito: hemorroidas sempre precisam de cirurgia.
Verdade: na gestação, a ampla maioria melhora com medidas conservadoras e costuma regredir após o parto. Procedimentos são reservados a casos persistentes ou complicados e, em geral, após o puerpério (ACOG; Mayo Clinic; e-EMJ).

  • Mito: todo sangramento retal é hemorroida.
Verdade: é uma causa comum, mas fissuras anais e outras condições também podem sangrar. Qualquer sangramento deve ser avaliado (Cleveland Clinic).

  • Mito: hemorroida impede parto normal.
Verdade: na maioria dos casos, não impede. Pode aumentar o desconforto, mas a via de parto é decidida por critérios obstétricos. Situações extremas são raras (NHS; revisões clínicas).

Conclusão: cuidado informado traz alívio

Hemorroidas no terceiro trimestre são comuns e têm causas bem compreendidas: pressão mecânica do útero, hormônios, aumento do volume sanguíneo e constipação. A boa notícia é que medidas simples — mais fibra e água, hábitos intestinais amigáveis, movimento, banhos de assento e cuidados locais — oferecem alívio real e seguro. Se houver dor intensa, sangramento importante ou dúvidas, procure sua equipe de saúde. Você não está só: com informação e apoio, é possível atravessar o fim da gestação com mais conforto.

Fontes consultadas

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